Babygirl me atingiu de uma forma inesperada. Ao assistir ao filme, senti como se estivesse espiando pela fechadura da porta de alguém, testemunhando desejos e conflitos que raramente são discutidos abertamente. Nicole Kidman, no papel deRomy Mathis, uma CEO de uma empresa de robótica, entrega uma performance corajosa e vulnerável. Ela encarna uma mulher que, apesar de seu exterior impecável e bem-sucedido, luta com desejos internos e uma necessidade de submissão que desafia sua posição de poder.
A dinâmica entre Romy e Samuel, o jovem estagiário interpretado porHarris Dickinson, é eletrizante e desconfortável. O filme explora a complexidade das relações de poder e como elas podem se inverter de maneiras inesperadas.Samuelpercebe as fissuras na fachada de Romye a conduz por um caminho de descoberta pessoal que é tanto libertador quanto perigoso.
O que mais me intrigou foi a forma como Babygirl aborda a moralidade. Em vez de apresentar uma narrativa maniqueísta de certo e errado, o filme mergulha nas zonas cinzentas do desejo humano. Ambos são personagens profundamente imperfeitos, navegando por águas turvas de ética e desejo.
A direção de Halina Reijn é precisa e implacável, recusando-se a oferecer ao espectador respostas fáceis ou resoluções confortáveis. Ela nos força a confrontar nossos próprios preconceitos e julgamentos sobre poder, sexo e controle. A cinematografia fria e clínica espelha a vida meticulosamente organizada de Romy, enquanto os momentos de intimidade são filmados com uma crueza que os torna ainda mais impactantes.
Babygirl não é um filme que busca agradar a todos. Sua exploração franca de temas como submissão, poder e desejo pode ser desconcertante para alguns. No entanto, é essa disposição de mergulhar no desconforto que torna o filme tão poderoso. Ele nos lembra que a moralidade não é uma linha reta, mas um labirinto complexo onde cada escolha carrega seu próprio peso e consequência. Dos desejos que escondemos, e como, às vezes, é necessário confrontar nossas próprias sombras para realmente nos entendermos.
Gênero: Suspense erótico
Duração: 1h 54min
Classificação indicativa: 18 anos (Violência, nudez, e linguagem imprópria)
Distribuição: Diamond Films
Direção: Halina Reijn
Elenco: Nicole Kidman, Harris Dickinson, Antonio Banderas, Sophie Wilde
Sobre a autora:

Natalia Silva
Coordenadora administrativa em uma instituição de ensino técnico (Cedup), apaixonada por cinema e pseudo-crítica nas horas vagas. Acredito no poder dos filmes para contar histórias inesquecíveis, despertar emoções e expandir nossa percepção do mundo. Entre críticas e análises, me jogo em diferentes gêneros e busco sempre novas perspectivas sobre o cinema.
Criadora da página do Instagram Cine Histeria (@cine_histeria), onde compartilho reflexões sobre o universo cinematográfico.