Sambocracia: um samba que ensina o Crato

O samba tem seu nascedouro nos corpos e identidades dos povos escravizados no Brasil, consolidando-se como um gênero musical que reflete o cotidiano, a resistência e a alegria da classe trabalhadora. A música de boteco, do morro, da beira da rua, do salão e da passarela vai além da diversão e insere-se na dimensão da democratização estética e artística, essencial para ampliar a visão social de mundo e reposicionar o olhar político.  

No Crato, o Coletivo Sambocracia, criado em 2018, desempenha um papel político ao promover o samba alinhado à defesa da democracia.  

Qual a relevância política do Sambocracia para pensar as políticas públicas para a cultura? Podemos destacar alguns pontos relevantes, como: o aquecimento da Economia da Cultura e de sua cadeia (comércio de bebidas e comidas, produção cultural, área técnica, comunicação, transporte, artistas, etc.); a ocupação e ressignificação dos espaços públicos; e a promoção da democratização estética e artística em larga escala, para além dos espaços e grupos segregados.  

A ocupação do Mercado Público é um dos exemplos mais potentes de democratização e defesa dos direitos humanos. Reconhecer o Mercado como um equipamento de trânsito humano e de encontros de identidades e expressões do nosso povo, além de potencializá-lo como espaço de fruição estética e artística, é aprofundar a dimensão da cidadania cultural.  

A arte deve fazer parte do cotidiano da classe trabalhadora, e não ser algo distante e segregado, como hegemonicamente se apresenta no modo de produção capitalista.  

O Sambocracia integra uma narrativa robusta que desconstrói a perspectiva elitista que vê a arte como destinada apenas a artistas e intelectuais. O Sambocracia se alimenta da interação, da mistura, do palco democrático em que a doutora dança com o pedreiro, e o samba serve como estratégia de humanização.  

Sobre o autor:

Alexandre Lucas

Alexandre Lucas é escrevedor, articulista e editor do Portal Vermelho no Ceará, pedagogo, artista/educador, militante do Coletivo Camaradas e a integrante da Comissão Cearense do Cultura Viva.

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