Um poema, antes do tiro, da noite, do grito. As pessoas se perguntavam sobre o poema, Foi encontrado na cama amassado entre os lençóis. Como se estivesse esquecido entre as última vontades.
Era segunda-feira. Tinha um poema amassado na cama e um buquê de flores de muchas na janela da rua. O café tinha gosto de obrigação e nada mais.
Choveu. O poema molhou. Molhado e amassado misturou as palavras grudadas. Já não era possível ler o poema.
De cara amassada enfrentou com sorrisos, a partida do poema. Remoído mentiu para o dia e para a noite, mas não se enganou. À meia-noite quando o tiro anunciava a morte, insistia em escrever poesias para as manhãs de poemas de amassados e esquecidos. Depois foi dormir para tentar catar estrelas para o amanhã.
Sobre o autor:

Alexandre Lucas
Alexandre Lucas é escrevedor, articulista e editor do Portal Vermelho no Ceará, pedagogo, artista/educador, militante do Coletivo Camaradas e a integrante da Comissão Cearense do Cultura Viva.
