Bom dia

Saiu assim: sem deixar um bom dia, apenas rastros de lágrimas e uma ponte caída. Era segunda-feira, mas que engano, já estávamos na quinta-feira. A quarta-feira de cinzas não trouxe paz. Vontade de se trancar em casa e só sair no dia da felicidade, mas não sei que dia é esse. Saí, mesmo a contragosto, carregado de um peso invisível e com os olhos inchados de quem, raivosamente, não dormiu.

Livros para descartar, empilhar e entregar. Tentando diluir o peso e a angústia, carrego livros, não leio nenhuma página, mas a vontade é gritar as poesias incendiárias do livro Inãron.

Não me sobra tempo nem para sofrer. Um tiroteio assusta meus pensamentos. Enquanto o primo de Duda foi assassinado, ela passa chorando, ficou sabendo há poucos minutos, mas o primo já havia subido há três dias.

Não vou me maquiar, nem fazer cara de coach. Hoje quero ir para o fundo da rede, quebrar todos os pratos e dizer que viver dói.

Sobre o autor:

Alexandre Lucas

Alexandre Lucas é escrevedor, articulista e editor do Portal Vermelho no Ceará, pedagogo, artista/educador, militante do Coletivo Camaradas e a integrante da Comissão Cearense do Cultura Viva.

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