Poetisa insone

A companhia das noites altas me faz falta

Invalidada pelo sono que de tão intenso se afigura narcótico

Beira o antinatural, invalidando o tônus

Transfigura o viver em mortalha intermitente

Dormir é ensaio do derradeiro fenecer

Repouso do corpo, fuga do espírito

E no sepulcro da consciência os sonhos emergem extravagantes

Ímpeto e fome ainda sem nome

Presságios e alvitres

Bons e Ruins

Temo estar a desistir de um conceito próprio de êxtase

jamais formulado nas brumas da rotina

SEDE GRATA, eis o adágio uníssono:

Sede fonte de vida.

Guia para os teus.

Atroz atriz de alma faminta

Entrega exangue amarga por si

Clamava o brocardo do poetinha: ” a vida só se dá para quem se deu”…

De onde?

Ó Deus teu!

Litania de modus porvir

Embuste em carne.

Sobre a autora:

Meyreélen Lisieux Alves

Quando criança queria de todo o coração saber voar numa vassoura e ter poderes mágicos incontroversos. Se tornou servidora pública, advogada, professora, mãe, leitora contumaz e idealista nesse plano da matéria.

Todavia, se entende a voar por aí nos prados infindáveis da imaginação quando, no meio da rude improbabilidade da rotina, ela escreve.

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