Ser mãe é padecer na expectativa alheia. É ser vista, medida e analisada com o olhar do outro, enquanto apenas você mesma entende as nuances da sua realidade e se orgulha dela, independentemente do número de medalhas que ganha do público que assiste, pois o que importa é a satisfação do seu público interno.
Digo isso após participar de uma corrida de rua, na qual a minha única pretensão era caminhar tranquilamente pelo percurso de cinco quilômetros, pois estaria na companhia da minha tia e da minha filha, que eu carregava junto ao meu corpo em um canguru.
Com toda a preparação do dia anterior, outros familiares participando do evento na expectativa de correr e a energia contagiante quando você está no meio de várias pessoas carregadas de endorfina, corri, talvez, por míseros dez metros e caminhei durante todo o restante do percurso.
Concluímos o percurso com sucesso, já tivemos outras experiências de caminhada juntas, e não é tão excepcional carregar doze quilos a mais, já levei muito mais. Agradeço imensamente a todos os sorrisos, e por todas as palavras de incentivo: “parabéns”, “guerreira”, “corajosa” e outros inúmeros adjetivos que escutei. Tudo contribuiu para aumentar ainda mais a minha disposição.
Apesar de ter a plena certeza de que toda mãe que exerce seu papel com empenho, ou seja, abraça a maternidade com a clareza de que o filho não é um fardo, mas uma escolha que deve ter as suas necessidades respeitadas, é uma guerreira, corajosa, disposta e todos os adjetivos que possam coroar essa mulher dentro da língua portuguesa.
Não romantizo a maternidade, reconheço muitas das dificuldades que ela traz e sei que há muito mais além de tudo o que vivencie.
Exatamente por esse motivo, não gostaria que a nossa participação, minha e da minha filha, prestasse um desserviço à vida de qualquer mulher que, por algum motivo não pudesse estar naquele evento esportivo, pois, a realidade é sempre diferente do recorte que vemos na foto.
A bem da verdade, talvez eu ainda consiga fazer longas caminhadas com a minha filha no colo pelo bom preparo físico que eu tinha antes da gravidez. Nem sei se é por isso, são apenas vozes da minha cabeça opinando sobre a minha própria vida.
Mas o fato é que mesmo após um ano, nunca voltei regularmente aos exercícios físicos, mesmo com todos os meus privilégios, ainda não alcancei o maior deles: uma excelente noite de sono que me permita acordar cedo e ir à academia.
Ser mãe não é fácil e ainda fica mais difícil com todas as outras obrigações que o mundo insiste em nos apontar como necessárias. Mas necessárias para quem?
Portanto, quando encontrar uma mãe por aí, não espere ela mostrar que consegue fazer mais do que apenas manter o filho vivo com dignidade. Acredite, apenas isso é o suficiente para ela ser considerada uma vitoriosa guerreira.
Sobre a autora:

Ludimilla Barreira
Mulher de muitas camadas. Mãe em um mundo real, embora a cabeça viva na terra da imaginação. Leitora, sonhadora e observadora da vida. Escreve para manter viva em si mesma e naqueles que a leem a esperança de que podemos ser e viver na realidade que criarmos, ainda que o mundo fora de nós conte outra história.
