A política do asfalto ainda é usada como moeda eleitoral. A lógica do falso desenvolvimento continua sendo vendida pelos veículos institucionais de comunicação, o que evidencia seu poder de manipulação e de ocultamento da verdade. É comum que, em períodos eleitorais, a pavimentação asfáltica sirva como maquiagem para convencer a população. Existe uma ideia consolidada de que o povo quer asfalto, afinal, é antiga a associação entre esse tipo de pavimentação ligada ao desenvolvimento e modernidade.
Vale ressaltar, porém, que nem toda vontade popular é justa, pois ela pode carregar traços de desinformação e alienação. No caso do asfalto, o povo se torna o “peru da Sadia”, ou seja, festeja a própria destruição.
É preciso questionar o discurso único, sobretudo quando orquestrado pelos veículos oficiais (institucionais). Até que ponto esse tipo de comunicação é legítimo, tendo em vista seu caráter de mascaramento e manipulação da verdade, que esconde os impactos ambientais e os prejuízos à infraestrutura urbana?
O argumento de que “o povo quer” não deve ser aplicado quando há efeitos nocivos à sociedade. O norte das políticas públicas deve ter como bússola a ciência, o planejamento e a qualidade de vida da população, com redução dos impactos ambientais.
Há uma relação entre asfalto, imediatismo e mercado que precisa ser combatida por outra lógica de urbanização, que valorize a promoção da saúde, a infraestrutura urbana e a minimização dos danos ambientais.
Caminhamos para um aumento global da temperatura. Atividades humanas como queima de combustíveis, poluição e desmatamento têm elevado a temperatura, em consequência dos gases do efeito estufa. O asfalto agrava esse problema: ele retém o calor do sol, elevando a temperatura das cidades e criando o fenômeno conhecido como ilha de calor urbana.
Além de impermeabilizar o solo, o que impede a penetração da água e o resfriamento do ar por evaporação, o asfalto aumenta o consumo de energia com o uso de ar-condicionado e ventiladores. A escassez energética é mais um desafio contemporâneo. A própria origem do asfalto é preocupante, por ser derivado do petróleo, um dos principais poluentes mundiais.
Sobre o autor:

Alexandre Lucas
Alexandre Lucas é escrevedor, articulista e editor do Portal Vermelho no Ceará, pedagogo, artista/educador, militante do Coletivo Camaradas e a integrante da Comissão Cearense do Cultura Viva.
O aquecimento global causa riscos imediatos e graves à Terra. A chamada emergência climática é um fenômeno real, acelerado a cada ano, e coloca a comunidade científica mundial em estado de alerta.
Combater o asfalto é uma necessidade para o desenvolvimento sustentável. Reafirmar que asfalto não é desenvolvimento significa desconstruir a narrativa predatória do capital e do eleitoreira. Não se trata de gosto ou estética, mas de uma questão de defesa do planeta, ainda que, mesmo sendo óbvio, se vende a ideia de que não estamos dentro dele.
Atualmente, o planejamento urbano exige conexão direta com a problemática climática global. Outras formas de pavimentação são possíveis e devem levar em conta a drenagem urbana, a permeabilização do solo e a redução do aumento da temperatura, gerando efeitos positivos na diminuição dos impactos ambientais e na melhoria da qualidade de vida.
