O peso das pálpebras entorpece o pensamento.
Vagueia minha alma no
limiar entre a realidade e o idílico.
Imersa em um turbilhão de sentimentos,
Vagabundeia insana, desvariada, mística.
Rodopiam em danças estonteantes, amores, paixões e nostalgias.
Desilusões e quimeras duelam entre si.
Meus diversos eus, como crianças furtivas, perambulam entre os jardins destroçados da realidade nua.
E ora, com ingenuidade pueril, colhem abrolhos supondo crisântemos.
Ou choram em soluços, pelo que se foi e o que deixou de ser.
Nessa epopeia sem heróis, nem grandes feitos, acordo de um sonho que sequer sonhei.
Porque a vida é um passar de horas, que se divaga dormindo, e devaneia-se acordada.
Sobre a autora:

Efigênia Coêlho Cruz
Nascida em 16/11/1963. Otimista com os pés no chão, professora universitária aposentada, Promotora de Justiça e pretensa escritora.
