Quando o medo toma conta,
a boca se tranca,
o corpo se retesa,
a mão pesa,
os olhos cegam.
As palavras murcham,
o movimento esvaece,
o toque endurece,
a beleza desaparece.
Não há esperança.
Enquanto isso,
os pensamentos viram monstros
que se viram contra sua senhora,
e a aprisionam na torre,
e a amarram na sala escura da mente.
Ela procura a energia
na boca,
no corpo,
nas mãos,
nos olhos.
Fixa a atenção,
luta pela respiração
para alimentar
não apenas o corpo,
mas o espírito perdido
no seu eu infinito.
Abre os olhos,
fixa no presente,
pensa que há futuro,
grita,
levanta,
pega
e
enxerga.
Descobre a vida.
Volta
e
governa.
Sobre a autora:

Ludimilla Barreira
Mulher de muitas camadas. Mãe em um mundo real, embora a cabeça viva na terra da imaginação. Leitora, sonhadora e observadora da vida. Escreve para manter viva em si mesma e naqueles que a leem a esperança de que podemos ser e viver na realidade que criarmos, ainda que o mundo fora de nós conte outra história.
