Denunciante

O som da respiração faz poesia entre os corpos. Hoje, a lua tem sol e o chá é afrodisíaco. Escrevo devorando a imaginação. Vou vasculhando as palavras e mordendo os lábios no bailado de imagens. Solto um sorriso e me dano a escrever, como quem quer despir o papel, sentir a  carne, o suor escorrendo entre as linhas, o  ventre molhado, olhos bambos,  sons  desequilibrados,  letras bêbadas e um convite para daqui a pouco.

É apenas o papel denunciante da intensidade humana. Incêndio, a poesia está em brasas e a razão resolveu se esconder. Contínuo escrevendo, buscando intervalos da imaginação do que não existiu, mas tudo existe. Saio, dou algumas voltas, talvez quisesse estar numa canoa sendo levado pela pele do rio, ou numa trilha sentindo o canto das folhas, mas não saio do quarto revirado de poesia e de vulcões.

Escuto o som dos carros: parece que são os mesmos todos os dias.  Tento encontrar o enredo diferente para não dizer o previsível. Fico curioso para decifrar o corpo, mapear as enchentes de prazer e se inundar de fraternidade. Mas, o poeta disse:  “sei que qualquer canto, é menor do que a vida de qualquer pessoa” e alertou “cuidado meu bem, há perigo na esquina,  eles venceram e  o sinal está fechado prá nós que somos jovens”.

Sobre o autor:

Alexandre Lucas

Alexandre Lucas é escrevedor, articulista e editor do Portal Vermelho no Ceará, pedagogo, artista/educador, militante do Coletivo Camaradas e a integrante da Comissão Cearense do Cultura Viva.

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