O erro ensina

O texto era “O erro ensina”, de um simpático senhor chamado Dan Olive. Conheci-o há pouco, numa cafeteria universitária, e já intuía que seria meu mestre. Ainda assim, já tínhamos algo em comum: o gosto pela leitura. Ele, professor e coordenador de uma escola nova; eu, uma aprendiz de sua vasta experiência. Veja este texto e diga o que você acha. Quero sua análise.

Fiquei sem palavras. Senti uma sensação estranha, um misto de reconhecimento e carinho. Eu começava, há pouco, a escrever. Não podia dizer não, mas fiquei com receio: será que conseguiria atender às expectativas do senhor Dan Olive, um professor universitário tão sábio? O texto era um conto com protagonistas afiados: tínhamos um nobre professor e um aluno displicente. Passei uma semana a caminhar com aqueles personagens, a borbulharem em mim. Uma incógnita ou uma revelação do caos existencial?  Não  saberia  responder  de  imediato,  mas  arrisquei: assim que finalizar minha análise textual, envio ao senhor. Obrigada pela confiança.

Algo saiu meio tímido. Não encontrava palavras para expressar o misto de emoções que sentira naquele instante. Ele olhava-me com firmeza como se dissesse: acredito no seu potencial, menina. Fiquei sem jeito. Seguia pela rotatória, a caminhar com passos lentos… parei numa padaria da esquina e, como de costume, tomei um expresso forte e comi um croissant. Precisava começar as primeiras linhas. Vamos, menina! Dizia a mim mesma: seja forte e corajosa!

O escrever me perseguia. Tentei fugir por vezes; contudo, ele estava lá, a me encarar entre livros e papéis sutis. Dias depois, resolvi colocar tudo no papel, sem pudor. Não podia medir as palavras, precisava transpor o que o texto, de fato, revelava.

Caro professor Dan Olive, estou enviando minha análise textual sobre seu texto — um texto deveras encantador, simples, mas revelador. Uma dor carregada de reflexões sobre o ensinar e o aprender. Seguem minhas singelas anotações. Espero que goste. Com carinho, sua eterna aprendiz.

Refletindo sobre o impacto caótico e, por que não dizer, cômico, que norteia o espaço da sala de aula, de um lado temos o conservadorismo (o prof. Pedro demonstra isso em seu agir); do outro, o aprendiz que não entende este conceito, mas bebe de sua fonte. Há um tom humorístico e uma leve hipocrisia, mas há também o inofensivo: descargas, chatices e o “achismo”, sim, o neologismo da vez, presente nesta era contemporânea…

O ambiente carrega os respingos de algo que precisa existir para dar lugar ao novo, ao progressista que urge neste século. O professor Pedro é gentil, mas comete o pecado do “dogmatismo gramatical”: desconsidera a variação linguística, uma aliada do ensino.

A caminhada é longa, e escrever para o senhor, um renomado professor universitário, torna-se algo inigualável. Ainda mais na contemporaneidade em que nos encontramos, onde a tecnologia nos consome e ocupa um espaço grandioso nas 24 horas que temos ao nosso dispor. Sempre temos algo a aprender com o outro, e não foi diferente com o professor Pedro: seu personagem toma decisões e segue.

Fez de um erro sua aprendizagem, avançando e melhorando sua metodologia no ensinar. Há trechos que deixam dúvidas peculiares, mas podem ser frutos de um déjà vu. Decorar?! Essa palavra ressoa no limiar momentâneo…

Finalizo minha análise textual na certeza de que a língua pede mais que isso: ela é dinâmica, viva e heterogênea. Seguimos acreditando que o prof. Pedro aprendeu sua maior lição e, quanto a nós, meros leitores, aprendemos muito com ele, que nos mostrou como o erro pode ser o trampolim para o acerto.

Abraços ao meu mestre Dan Olive, sua eterna aprendiz!

Sobre a autora:

Gracynha Rodrigues

Formada em Letras pela Universidade Regional do Cariri (URCA), uma apreciadora das palavras, músicas, livros e pessoas. Além disso, é pós-graduada em Literatura e uma aspirante a cronista em desenvolvimento…

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