Meus livros cheios de amores

É previsível falar de amores fracassados. Começo a acreditar que estou me dando bem, apesar de ter um lenço encardido de tanto enxugar lágrimas, mas nem tudo é choro. Ando aproveitando as manhãs. No caminho até o trabalho, vou anotando os retalhos vividos, sempre sem prometer ser fiel à realidade ou a mim mesmo. Afinal, minha intenção é deslocar a quietude e desmontar a previsibilidade.

Cada sonho e pesadelo, intensamente impregnado, aos poucos vai se transformando em curtas páginas de ternura e ferimentos. Escrevo sem paredes. Vão surgindo, não por acaso, algumas páginas extremamente mentirosas, outras quase reais e um bocado cheias de invenções que nunca aconteceram. Ando estampando meus amores em livros.

O coração remendado de histórias, sopros e redemoinhos sai por aí de mão em mão, circulando em palavras e vozes. Um panfleto literário. Um testemunho de que o verso é sempre uma tentativa coletiva, mesmo quando se acha que ele se escreve sozinho. 

Sobre o autor:

Alexandre Lucas

Alexandre Lucas é escrevedor, articulista e editor do Portal Vermelho no Ceará, pedagogo, artista/educador, militante do Coletivo Camaradas e a integrante da Comissão Cearense do Cultura Viva.

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