Como me senti

Nosso Curso de Escrita Literária acabou… Infelizmente.

Antes de começarmos os encontros, me percebia ilhada e com um enorme vazio nos pensamentos. Havia um fio desconectado, como se a minha fonte de energia não fosse suficiente para que eu me mostrasse em minha potência máxima. Além disso, precisava ser resgatada do porão em que me tranquei no último ano.

Logo no primeiro encontro, não demorou para que os sentimentos fossem mudando de proporção. A angustia, a incerteza e o medo, que ocupavam grande parte das etiquetas que nomeavam minhas experiências, cederam espaço para a serenidade, a convicção e o destemor.

Me senti capaz de gritar forte a plenos pulmões, pela certeza de que seria ouvida e acolhida.

Junto daquelas mulheres, percebi o quanto o poder do coletivo é imenso e restaurador da ordem, capaz de produzir sensações que nos causam arrepios de tão intensas. Foram encontros emocionantes.

Ao final do curso, percebi que me reposicionei dentro da minha morada interior. Segura do local que podia habitar e deslumbrada com o mar de possibilidades que elas me apresentaram, já conseguia entrar e sair de mim e até me lançar a água, ao vento e ao fogo. Pois com a ajuda delas consegui encontrar uma forma de transitar entre os elementos sem ameaçar a minha segurança.

Me senti acolhida, como se, deitada em uma flor conseguisse ser protegida pelo abraço delicado das pétalas.

Me senti protegida, como se as pétalas fossem impenetráveis.

Me senti fértil, como se o pólen me enriquecesse de tal forma que pudesse pulverizar o mundo com um pouco de todo nutriente recebido.

Me senti cuidada, como uma criança nas mãos de várias mães que juntas embalaram minha vida para que eu traga da terra dos sonhos as plantas para a minha próxima colheita.

Me senti fortalecida, por beber na fonte em que todas derramaram lágrimas, sorrisos e sabedoria de vida.

Me senti mulher.

Depois disso, não há nada a ser explicado, pois não há construção lógica de palavras que descreva a sensação de sentir outras mulheres resgatando a força que há dentro de cada uma de nós.

Sobre a autora:

Ludimilla Barreira

Leitora, sonhadora, eterna estudante e observadora da vida. Além disso, é bacharel em Direito, especialista em Direito Público, servidora do executivo estadual e defensora da igualdade.

One thought on “Como me senti

  1. Texto maravilhoso, poético e inspirador.
    Nossa, quanta potência há num encontro genuíno entre mulheres reunidas por objetivos em comum.
    Quanta potência, sensibilidade, criatividade, inspiração há em você, Ludimilla Barreira?
    Parabéns, Luzinha!

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