Remanescente

Eu lamento ter perdido tanto tempo,
Com coisas superficiais, tão fúteis e banais.
Por causa disso eu me distanciei
Das coisas de valor, importantes e especiais.

Infelizmente não é verdade que temos todo tempo do mundo.
Só vim perceber isso quando estava lá no fundo.

Nunca tivemos e não teremos jamais.
Com todo respeito ao grande poeta
Que no mundo dos mortos jaz
E me inspirou a viver uma vida fugaz.

Tem coisas que perdemos que o tempo de volta não traz.
Que Ele descanse em paz.

Somos tão jovens quando somos jovens,
E fazemos coisas sem pensar nas consequências.
Que nos trazem dor e na família causa desordens.
E uma parcela disso vem de influencias.

Tem coisas que só a maturidade nos esclarece
E quando termina o “divertido” dia,
A ressaca nos mostra o erro que nos aborrece
E tudo em escuridão anoitece
Isso é óbvio, acontece com todo mundo.

Mas ainda estou aqui, eu quero acreditar
Que quando o dia amanhece,
Ele vai brilhar novamente .

Eu me vejo sentado à beira de um rio, na nascente,
Com aquela luz do sol, calorosa e abrangente,
Iluminando a minha mente e a de toda gente,
Do ocidente ao extremo Oriente.

Alcançando seu esplendor dentro da gente,
Trazendo o verdadeiro prazer lúcido de viver,
Deixando para trás o passado,
E desfrutando o presente.

Estamos aqui como remanescente
De uma geração muita louca e intensa,
Que vandalizava as casas e devorava a dispensa.

Mas para, e pensa comigo:
Qual foi a real recompensa?
Perdas, doenças, solidão, morte e decadência.

Estamos ainda juntando os cacos do que sobrou,
Dos que sobraram em sinal de resistência.

Valeu a pena a vida louca de anarquia, rebeldia e insurgência?
Claro que não! Posso afirmar com veemência,
E com forte convicção
De quem viveu aquela utópica ilusão.

Não estou querendo ensinar ninguém .
Cabe a cada um ter sua própria direção.
Quero apenas fazer refletir a nova geração:
Usem sua juventude para uma nobre reconstrução.

Para que possam se orgulhar
De deixar para seus filhos uma nova civilização:
Com mais empatia e amor no coração,
Considerando a todos como irmãos.
Apreço pela vida e pelo conhecimento.

E que não terminem suas vidas num poço de remorso e arrependimento.

Graças a Deus ainda estou vivo
Para dar meu depoimento.

Sobre o autor:

Fabiano Santiago Lopes

Poeta do cotidiano que ama as letras e as arte. Ele coloca o seu pensamento e opiniões nos seus poemas e nos relatos de sua história.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *