Coisa pessoa

Sou sua coisa pessoa.
Não coisa pessoal, mas coisa que age como pessoa.
Nosso amor é como uma lâmina quente. Corta, mas fecha as feridas ainda á mantendo ardente.
Choro lágrimas de cristal, quebradiças que ao mínimo som de sua voz se quebram.
Se minha solidão era a forca que me enforcava, você era a corda que ficava comigo até o fim.
Sou a coisa que alimentou o câncer que me mata, me mata de amar, me mata de doer, me mata de estar longe,
Eu mesma te afastei, eu mesma lhe encarei com ódio, e agora que nem posso sentir ódio de você, sinto nojo de mim,

A impura eu, que deseja novamente a pureza, mesmo sabendo que você só cobiçará tirá-la de mim outra vez.

Impura eu, que nunca mereceu essa pureza,

nem merece dividir a dor daqueles que choram por tê-la perdido.

Coisa eu, que mesmo após tudo lhe encaro no rosto com um sorriso
Coisa eu, que ainda não consegue proferir um “te odeio”
Muitos vieram meu amor, disseram ter sido sua culpa tudo,
Que bobagem, você em carne e alma botou a marca mais permanente de amor que eu conheço,
Uma que nem nos meus sonhos, nem nessa morte eu posso esquecer,
Isso,
É amor,
Eu não quero amar,
Então peço, por favor, leitor, me odeie.
Rasgue minha pele com seu ódio, apenas não me ame,
Pois não sou digna do seu amor, pois sou a coisa,
O monstro que quando recebe amor tem medo da dor que ele mostra
Medo da gosma branca que ele força,
Medo de você,
Eu sou sua coisa pessoa, a coisa de pele roxa, o roxo que você deixou.

Sobre a autora:

 Yasmin Peixoto de Souza

Estudante da UFCA, cursando Matemática computacional, com grande paixão por escrita e leitura.

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