A travessia

Se eu pudesse te dizer, sem tremer a voz,
A melodia exata da sua ausência em nos,
E como aprendi a crer
Que toda noite termina ao amanhecer.

A maré me levou sem aceno ou Adeus.
No meio do sal e do breu, entendi quem sou eu:
Fui menino demais pra guardar
O que só mãos maduras sabem cultivar.

Era amor de raiz, era paz de nascente.
Perdi o mapa e vaguei por toda gente,
Anestesiando o peito em copo e esquina
Só pra calar a falta que ainda me ensina.
Aceito: o ontem não desembarca mais.
Solto o peso no cais e sigo em paz.
No oco que ficou planto um jardim.
Que venha um amor que saiba de mim,
Que me devolva o riso sem alarde.

Não é simples, eu sei mas insisto no passo.
Não existe outro atalho para o mesmo abraço.
E se for preciso, reinvento o caminho:
Um novo afeto pra curar o espinho.
Você fica guardada num verso fechado,
Canção que não toco, mas deixo ao meu lado.
Faz parte da vida: virou aprendizado.

No mundo largo há de haver alguém
Que some comigo e me mostra o além,
Que reponha o que o tempo levou
E caminhe comigo aonde eu for…
Até que o antigo, enfim , descanse
Até que o novo me baste.

Sobre o autor:

Fabiano Santiago Lopes

Poeta do cotidiano que ama as letras e as arte. Ele coloca o seu pensamento e opiniões nos seus poemas e nos relatos de sua história.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *