Coletivo Camaradas: sua ação deve refletir sua identidade

A identidade de uma organização política é fundamental para traçar sua tática e sua estratégia. O Coletivo Camaradas se identifica como uma organização política de esquerda e de viés marxista. Isso demarca sua perspectiva de compreensão e leitura da realidade, ou seja, há uma especificidade na análise dos fenômenos históricos e sociais e na atuação nas lutas políticas. Por ser uma organização marxista, remete também à ideia de defesa de um projeto de sociedade que se contrapõe ao capitalismo, o socialismo e, por consequência, a sociedade comunista.

Essa identidade política aponta que não será a luta local, identitária e segmentada que irá superar o capitalismo, tendo em vista que as relações de exploração, força motriz para gerar as desigualdades econômicas e sociais e, consequentemente, as relações de opressão são fruto de uma estrutura sistêmica. Nesse sentido, o Coletivo Camaradas deve ser parte aliada e construtora das lutas locais, identitárias e segmentadas, o que, logicamente, as incorpora às pautas nacionais e internacionais de luta anticapitalista, como perspectiva de superação das relações de exploração e opressão.

O Coletivo Camaradas foi criado em 2007, na cidade do Crato, região do Cariri, no Ceará. Tem forte atuação na luta por políticas públicas para a cultura, no movimento de cultura de base comunitária (Cultura Viva), nas discussões sobre direito à cidade e em questões ambientais. Além disso, possui um trabalho reconhecido de organização comunitária e territorial a partir da atuação no Território Criativo do Gesso, que serve como laboratório social. O Coletivo Camaradas também é uma organização de diálogo nacional.

Essa contextualização serve para reafirmar que a identidade política não pode ser vacilante diante da necessidade de nortear a ação política. Toda ação política deve atender a um objetivo político e alinhar-se à tática e à estratégia política. Entende-se aqui a estratégia como projeto macro: no caso do Coletivo Camaradas e de outras organizações de viés marxista, a superação do capitalismo e a construção do socialismo. Já a tática é a forma circunstancial de atuação política, que se altera a cada mudança de conjuntura e diante das debilidades da ação política.

Quando a ação política se desvincula da tática e da estratégia, cria-se um conflito de compreensão e unidade política, o que gera forte tendência à degeneração e ao distanciamento do arcabouço teórico. O elemento teórico é fundamental para organizações que se orientam pelo materialismo histórico e dialético (marxismo). Afinal, quando se trata de organizações marxistas, é importante frisar que a bússola de orientação política é a ciência, as condições objetivas concretas e as correlações de forças na luta política, o que se contrapõe ao achismo, às forças transcendentais e à crença de que apenas as ideias mudam a realidade (idealismo).

O projeto político de uma organização marxista deve conectar a prática à teoria e vice-versa. Esse aspecto dialético entre teoria e prática é elemento central para a compreensão de que não existe realidade estática, mas dinâmica, conflituosa e em constante movimento,  o que serve de alerta para não tomar a teoria marxista como dogma.

O projeto político do Coletivo Camaradas deve ser acompanhado de uma dimensão pedagógica, deve refletir seu projeto de sociedade e alinhar a luta local à sua dimensão global. Deve adequar suas ações aos seus objetivos políticos, ser espaço de recrutamento de novas e novos lutadores e lutadoras do povo, e centro de luta permanente, incidência e formação política.

Sobre o autor:

Alexandre Lucas

Alexandre Lucas é escrevedor, articulista e editor do Portal Vermelho no Ceará, pedagogo, artista/educador, militante do Coletivo Camaradas e a integrante da Comissão Cearense do Cultura Viva.

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