Olhos

Sejam grandes, pequenos, amendoados.

Pretos, castanhos, claros.

Acesos, opacos, vívidos.

Alegres, chorosos, lânguidos.

Esperançosos, apáticos, decepcionados.

Sadios, deficientes.

O que são?

Janelas da alma, mediadores entre a matéria e o invisível. Meios de manifesto. Perscrutadores do mistério. Intérpretes dos sentimentos. Denunciadores da paixão. Encantadores dos desavisados.

Olhos, maravilhosas cavidades recheadas de nervos, fibras e glândulas.

Muito mais do que órgãos dos sentidos, são portas.

Conexões entre o dormir e o despertar.

Indutores da sensibilidade.

Não só veem, enxergam.

Vestíbulos da emoção.

Olhos, maravilhosos e incansáveis olhos.

Quanto amor e dor pressentem e presenciam.

Quanto terror lhes amedrontam!

Quanto futuro podem antecipar e memórias guardar.

De todo seu alcance pode se deduzir, com acerto;

O Divino, de si, fê-los Protótipos.

Sobre a autora:

Efigênia Coêlho Cruz

Nascida em 16/11/1963. Otimista com os pés no chão, professora universitária aposentada, Promotora de Justiça e pretensa escritora.

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