UM CONVITE DA ACADEMIA CEARENSE DE LÍNGUA PORTUGUESA

Derivada do Latim, a Língua Portuguesa é o nono idioma mais falado do mundo, sendo a língua oficial de nove países, dentre eles o Brasil, Portugal, Angola e Moçambique. Em terras brasileiras, a língua chegou junto à invasão dos exploradores portugueses, se instalando no cotidiano dos povos indígenas através dos Jesuítas, responsáveis por disseminar a religião católica e ensiná-los a língua de seus dominantes.

Sabemos que a língua é poder, como afirma o professor e pesquisador Marcos Bagno, logo, uma das expressões máximas da autoridade de um povo sobre outro é o controle linguístico. Por esta razão e para consolidar o domínio imperial de Portugal sobre a terra colonizada, bem como o Império Romano, que impunha o Latim às nações conquistadas, em 1758, o diplomata e primeiro ministro português, Marquês de Pombal criou um decreto que proibia o ensino e uso do Tupi, idioma utilizado pelos nativos, instituindo o Português como única língua brasileira. Mas foi somente na década de 80 que o Brasil legitimou a Língua Portuguesa como “o idioma oficial da República Federativa do Brasil”, como consta no Art. 13 da Constituição de 1988.

Para aprofundar os estudos sobre o Português, foi criada, em 28 de outubro de 1977, a Academia Cearense de Língua Portuguesa – ACLP, uma “sociedade simples de caráter cultural e científico sem fins lucrativos”, cujo principal objetivo é o aprimoramento e estudo da língua portuguesa, promovendo intercâmbio com entidades científicas e culturais, publicações de revistas e trabalhos relacionados à língua e sociedade, além de promover seminários, simpósios, conferências e cursos, disponibilizando inclusive, uma biblioteca com obras de interesse da entidade.

Vale ressaltar que a língua não é imutável, portanto o Português não é só o que está na gramática, logo é normal que existam variações linguísticas em qualquer comunidade de fala. No entanto, ainda é muito comum a valorização de algumas variantes, consideradas mais corretas do que outras, desprezando as estruturas que se distanciam desse padrão de língua imposto como norma culta. É a partir dessas concepções de língua com o “jeito certo” e o “jeito errado” de falar, que surgem em discussões linguísticas posicionamentos que julgam as alterações e adaptações da linguagem, derivadas das mudanças sociais, como “destruição da língua”, como por exemplo, as discussões do uso do gênero neutro. Neste tipo de discurso desconsidera-se a mutabilidade da língua, como se os termos usados atualmente não tivessem passado por variações, como se a norma padrão fosse a única possibilidade de língua.

No entanto, esta se molda à necessidade de seus falantes. Em 202,1 várias palavras foram adicionadas ao Vocabulário Ortográfico de Língua Portuguesa – VOLP, entre elas feminicídio, sororidade e homoparental. “Os termos são novos e têm significado explícito. Vejamos alguns deles: Telemedicina, ciberataque, judicialização, Covid-19, pós-verdade, negacionismo, necropolítica, gentrificação e ciclofaixa – são algumas das palavras que a Academia adotou para enriquecer o seu Vocabulário, que já tem cerca de 360 mil vocábulos em seu conteúdo. Isto sem contar as palavras estrangeiras que merecem a inserção, como bullying, botox, compliance, crossfit, home office (de grande popularidade), lockdown, emoji e podcast”. (Jornal Dois Estados, 25/08/2021)

A língua portuguesa é viva, bem como seus usuários. Se adapta ao contexto social de seus falantes e às suas realidades. Por isso a importância de uma entidade que se proponha a estudá-la e aproximar esses estudos da comunidade. A Academia Cearense de Língua Portuguesa, ACLP, disponibiliza em seu site ensaios, artigos, contos, discursos, poemas, crônicas, etc, para pesquisas. Fica então o convite da ACPL para o aprofundamento do conhecimento acerca da nossa língua, proporcionando respeito às diversidades e variedades linguísticas.

FONTE:

NISKIER, Arnaldo. Novas palavras no VOLP. Disponível em:  Acesso: https://www.academia.org.br/artigos/novas-palavras-no-volp. Acesso em: 29 de nov. de 2021.

Sobre a autora:

Shirley Pinheiro

Graduanda em Letras pela Universidade Regional do Cariri.

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