“Este livro é somente uma pequena parte do que tenho visto e do que vejo cada dia, uma pequena parte das muitas coisas que anseiam expressar-se nos silenciosos corações dos homens e em suas almas” (Khalil Gibran)
Terminada a leitura de O Interesse Humano, de Sri Ram; inicia-se O Profeta, de Khalil Gibran. Essa é a obra escolhida para o Clube de Leitura da Nova Acrópole – organização internacional de caráter filosófico, cultural e de voluntariado presente em mais de 50 países desde 1957 – sede de Juazeiro do Norte.
Mesmo que você leitor ainda não tenha lido O Profeta, ou conheça a vida do seu autor, certamente já se deparou com algumas das muitas frases que circulam pelas mídias sociais:
“O amor não possui nada, nem quer ser possuído; pois o amor basta ao amor”.
“O trabalho é o amor tornado visível”.
“Sua dor é a quebra da casca que envolve sua compreensão”.
“A vida não anda para trás nem se detém no ontem”.
Falar de Khalil Gibran, nascido em 6 de janeiro de 1883 no Líbano, é falar de espiritualidade (oriental e ocidental), multiplicidade e de profundidade. Da prosa à poesia, da parábola às fábulas, das cartas aos aforismos, do ensaio à conferência, o autor de Asas Partidas (1912), também foi aclamado por seus pares como um filósofo, embora não se reconhecesse como um.
Considerado pela escritora Salma Khadra Jayyusi “a influência mais importante na poesia e literatura árabes durante a primeira metade do século XX”, é difícil não considerar Khalil um filósofo depois de entrar em contato com sua concepção do que seja a vida humana, sua compreensão sobre a espiritualidade e temas como o amor, a liberdade, a íntima relação entre alegria/tristeza, vida/morte etc.
Em sua vida relativamente curta (morreu em 6 de dezembro aos 48 anos de idade) produziu uma obra extensa e intensa, influenciado pela Bíblia, por Willian Turner, considerado o maior entre os poetas ingleses, pela poesia e pela pintura do também inglês Willian Blake (1757-1827), que expressou suas crenças religiosas, políticas e sociais por meio de obras como Canções da inocência (1789) e, pinturas como “Satã observando o amor de Adão” (Museu de Belas Artes, Boston), “A criação de Adão” (Tate Gallery, Londres), entre outras.
É preciso dizer que Khalil Gibran desejou ser um pintor simbolista deixando um legado de mais de 700 obras de artes visuais que podem ser admiradas por museus mundo a fora.
Outras de suas influências foi o poeta estadunidense Walt Whitman (1819-1892), considerado o “pai do verso livre”, criador da obra Folhas de Relva, publicado pela primeira vez em 1855.
Há, ainda, Francis Manash (1835/6-1873), escritor sírio estudado por Gibran na adolescência, e que muito contribuiu para moldar sua compreensão sobre os mais diferentes temas: educação, emancipação feminina e crítica social etc.
A obra do filósofo alemão Friedrich Nietzsche (1844-1900) foi uma constante na trajetória de Khalil Gibran, embora os ensinamentos de Almustafa, personagem central de O Profeta, seja bem diferente de Zaratustra, personagem da obra Assim falou Zaratustra: um livro para todos e para ninguém (1883-1885).
O Profeta, uma das obras mais conhecidas e lidas de Gibran, escrita no ano de 1923, é composta por 28 ensaios-poéticos curtos, e reflete sobre temáticas como: amor, casamento, amizade, doação, trabalho, alegria e tristeza, vida e morte etc. Seu personagem principal se chama Almustafa (o escolhido), um sábio que compartilha reflexões profundas antes de retornar para sua terra natal depois de 12 anos de espera. Quando perguntado como foi escrever essa obra, que já foi traduzida para mais de 100 idiomas, Khalil Gibran respondeu: “o livro escreveu a mim”, ou seja, a obra o tornou ainda mais conhecedor de si.
O Interesse Humano, obra essencial da filosofia teosófica composta por 35 artigos, nos ensinou sobre a essência humana, o amor fraterno, o caminho do meio, beleza, necessidade de conexão com o outro, propósito de vida. O Profeta, nos ensinará que “A simplicidade é o último degrau da sabedoria”.
Se é verdade que muitas vezes somos “felizes sem saber”, que tenhamos consciência de que seja através da leitura de O Interesse Humano, ou de O Profeta, a filosofia nos torna sujeitos mais conscientes e críticos, contribuindo para ultrapassar as pedras no meio do caminho.
Sobre a autora:

Luciana Bessa Silva
Idealizadora do Blog Literário Nordestinados a Ler
