A implementação de políticas municipais de arborização urbana é uma necessidade intransferível e indispensável para a infraestrutura urbana das cidades. O planejamento urbano tem que incluir a redução dos impactos ambientais como norte político diante do sistema predatório do planeta, que tem ampliado a poluição do ar, das águas e do solo, contribuído para a desertificação no campo e na cidade e acelerado o aquecimento global.
A urbanização e a arquitetura têm que ter um paisagismo que contribua para o conforto térmico, o equilíbrio do ecossistema e a funcionalidade social. O paisagismo não é um detalhe estético; não deve ser percebido como acabamento dos desenhos urbanísticos e arquitetônicos. Pelo contrário, deve ser concebido como base estruturante desse processo.
As cidades estão ficando cada vez mais quentes como parte de um fenômeno global produzido socialmente. A emergência climática é resultado de como produzimos a urbe e de como consumimos e descartamos neste mundo. Incluir infraestrutura baseada no reflorestamento do pensamento, do asfalto e do concreto é uma das exigências do nosso tempo. Talvez as palavras mestras para essa engenharia de reconstruir as cidades sejam o planejamento e a consolidação de um arcabouço jurídico capaz de fortalecer politicamente a incidência para destronar o pensamento das cidades desertas, que é resultado de um longo processo histórico de distanciamento do ser humano da natureza, colocando o meio ambiente como algo estranho à existência humana, como se fosse possível separar o que consumimos e produzimos (roupas, tecnologias, alimentos, embalagens etc.) do planeta Terra.
Reflorestar as cidades não é uma tarefa simples; exige planejamento para não desequilibrar os ecossistemas e comprometer as estruturas urbanas. Por isso, os planos municipais de arborização urbana são essenciais para nortear as políticas públicas e servir de argumentação jurídica e política a ser abraçada pelos organismos de controle e participação social, bem como pelos movimentos sociais.
O investimento público na infraestrutura verde é fundamental e requer toda uma engenharia que vai desde a escolha das árvores e a estruturação dos viveiros municipais com capacidade de produzir, distribuir e plantar árvores, até a educação ambiental, o monitoramento, o mapeamento e a política de permanência. A infraestrutura verde é parte da luta pelo direito à cidade e requer ampla mobilização da sociedade para o enfrentamento da lógica da narrativa dominante do asfalto e do concreto. A defesa da urbanização e de uma arquitetura que sirva ao conforto térmico, à qualidade do ar e à ambiência do convívio social é uma exigência para a promoção da saúde e para o combate à destruição do planeta.
Sobre o autor:

Alexandre Lucas
Alexandre Lucas é escrevedor, articulista e editor do Portal Vermelho no Ceará, pedagogo, artista/educador, militante do Coletivo Camaradas e a integrante da Comissão Cearense do Cultura Viva.
