Um dia um passarinho me contou
Que na vida ninguém é de ninguém
Que as pessoas são passageiras
Que o passado não volta mais
Eu perguntei se tudo tem fim
Ele me disse que na vida nada acaba
Nada começa e nada tem fim
Apenas tudo se transforma
Ele me disse que o amor
Que a amizade, que a raiva
Se transformam
Se para melhor ou pior
Depende de quem o forma
Que assim como a morte
O corpo se decompõe
A vida se transfere
Se encontra com deus
Ou se dissipa em poeira
Eu perguntei se a felicidade existe
Ele disse que é feita de momentos
Podem ser duradouros ou ligeiros
Que é construída ou espontânea
Eu perguntei se a solidão existe
Ele me disse que não
Que estamos cercados por seres vivos
Macroscópicos ou microscópicos
Bactérias, vírus, protozoários
Nos acompanham a todo instante
Pessoas, cachorros, gatos
Nos acompanham de vez em quando
Eu perguntei qual o sentido da vida
Ele disse que ela não tem sentido algum
Vivemos por que surgimos
Sobrevivemos por instinto
Eu perguntei o que é a vida
Ele parou, refletiu um pouco
Me olhou nos olhos
E disse que não tinha resposta
A resposta depende de quem pensa
Sobre a vida…
Sobre a autora:

Luiza Botelho Gonçalves
Médica Veterinária e estudante de Biologia, artista nas horas vagas, mesclo em meus poemas temas de reflexão misturando componentes da fauna e flora em versos líricos.
