Saí e fui para o bar mais distante que encontrei. Sentei-me e pedi uma cerveja.
Sozinha naquela mesa. Uma banda local anunciou que todos deveriam se soltar: era noite de Halloween! Em seguida, começou a tocar músicas agitadas. E, mesmo em meio àquela agitação, tudo parecia fluir em câmera lenta, e na lentidão da minha percepção, fui percebendo que, na minha solitude, em meio a um bar cheio, tudo era percebido com mais intensidade. Será que preciso mesmo estar com alguém para me sentir viva? Ou simplesmente para me sentir bem?
Naquele dia, passei o tempo todo me sentindo chorosa e percebi que as bruxas estavam realmente soltas. E eu, como uma velha bruxa, não poderia ficar presa ao meu colchão marcado.
Na solitude, olhei atentamente para tudo o que estava ao meu redor, inclusive para uma luz vermelha que piscava insistentemente bem acima da minha cabeça. Tentei ignorá-la. Afinal, havia muita coisa para observar.
As pessoas passavam de lá para cá, olhando-me com estranheza. Afinal, parecia tão raro encontrar alguém curtindo a própria companhia enquanto todos os outros estavam acompanhados.
Olhei atentamente para o copo em minha frente e refleti sobre uma questão que muitos se perguntam: será que o copo está meio cheio ou meio vazio? Para não ficar na dúvida, enchi-o e o esvaziei praticamente em dois goles. Porque eu saí mesmo foi para tentar engolir aquilo que há muito tempo me sufocava.
Sempre surgem muitas ideias quando se está sozinha.
Então, simplesmente comecei a escrever. Pedi um lenço de papel e uma caneta. E escrevi.
…
Encarei fixamente o monstro imóvel ao meu lado. Entre tantas fantasias espalhadas naquela noite, justamente aquele monstro da decoração havia chamado minha atenção. Fiquei observando-o, tentando entender quais monstros carregamos dentro de nós mesmos.
Pois bem, lá no fundo, eles existem. Existem, sim! Mas cabe a cada um libertá-los ou não.
O lugar começou a ficar muito cheio. As pessoas falavam muito, e muito alto.
Até mais alto do que a banda que tocava.
Eu achava que estavam todos muito desesperados: por atenção, por amor, por uma pequena discussão… estavam libertando os monstros que habitavam dentro de si.
E eu só estava ali para libertar a angústia que me sufocava. Mas meu monstro estava seguro, por enquanto.
Escrevi e escrevi. Um gole aqui, outro ali, e a lágrima da liberdade escorria pela tinta da caneta. “Talvez aquela fosse à minha maneira de manter o monstro quieto. Pelo menos naquela noite”.
Um rock de boa, uma cerveja gelada e um coração agoniado.
Essa foi minha noite de Halloween sozinha. Numa noite quente, com a cabeça cheia e um sentimento entalado.
Sobre a autora:

Taynara Oliveira
Graduada em Letras pela Universidade Regional do Cariri (URCA).
