Não lembro da queda,
mas senti o impacto do chão.
Não via a luz,
Mas sabia de sua dimensão.
Tentei mudar a cor
mas, sem luz
não tem cor possível,
e lá era só escuridão.
Vivenciei o buraco e o escuro,
tentei tatear suas dimensões.
Enquanto isso, esqueci quem eu era
e perdi a minha noção.
Escutei o grito de ajuda
e senti quando me estenderam a mão.
Jogaram uma corda com sentimentos,
mas eu não tinha como dar a propulsão.
Percebi que do jeito que entrei,
precisava sair com as minhas próprias mãos.
pois, quando você entra no buraco
não tem meio fácil de salvação.
Depois de se perder e se encontrar
descobre que, para sair de lá,
tem que abrir o coração,
tocar nos sentimentos
e encontrar sua própria solução.
Sobre a autora:

Ludimilla Barreira
Leitora, sonhadora, eterna estudante e observadora da vida. Além disso, é bacharel em Direito, especialista em Direito Público, servidora do executivo estadual e defensora da igualdade.

Poema muito sensível e reflexivo. Gostei especialmente da construção da metáfora entre luz, cor e escuridão, que transforma uma experiência íntima de queda e busca em algo universal.
Sim, quando a gente entra no buraco, não tem meio fácil de salvação. Nem mesmo uma corda de sentimentos, jogada pelos outros.
Adorei seu poema, Ludimilla!!
Que texto lindo! Um mergulho em nossas profundezas para buscar a nossa libertação.